Engenharia que protege: CCEEQ lamenta morte em academia de São Paulo

Brasília, 12 de fevereiro de 2026.

Os recentes acidentes em piscinas de uso coletivo reacendem uma discussão que vai além de um caso isolado. Eles nos convidam a refletir sobre algo maior: a presença, muitas vezes silenciosa, da Engenharia Química no cotidiano das cidades.

Piscinas instaladas em academias, hotéis, clubes, escolas e condomínios são frequentemente associadas ao lazer, à saúde e ao bem-estar. No entanto, por trás da água, aparentemente cristalina, existe um sistema técnico complexo, que envolve controle rigoroso de pH, alcalinidade, concentração de desinfetantes, prevenção de contaminações microbiológicas e manejo seguro de produtos químicos potencialmente perigosos.
 

CCEEQ reunida durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e Mútua
CCEEQ reunida durante o 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e Mútua

 


Substâncias como hipoclorito de sódio, cloro e ácidos, quando manipuladas e aplicadas sem conhecimento técnico adequado, podem reagir de forma perigosa, liberando gases tóxicos e colocando vidas em risco.
 

A cidade como sistema químico
Em grandes centros urbanos, edifícios modernos operam verdadeiras plantas dispostas no topo ou nos subsolos. Sistemas de água gelada, torres de resfriamento, sistemas de aquecimento, estações de tratamento de água, controle de corrosão e incrustação, além de sistemas automatizados de dosagem química compõem a infraestrutura que mantém hotéis, hospitais, shopping centers e empreendimentos verticais em funcionamento.

Esses sistemas envolvem transferência de calor, equilíbrio químico, controle de processos e gestão de risco, fundamentos clássicos da Engenharia Química e ainda assim, muitas vezes essa atuação permanece invisível.
Nesse contexto, as cidades modernas são sistemas complexos que exigem gestão técnica qualificada.

Atividade técnica não deve ser improviso
O tratamento químico de piscinas e sistemas prediais não é atividade meramente operacional. Trata-se de processo técnico que exige conhecimento específico, avaliação de riscos e responsabilidade formal.

O engenheiro químico, devidamente registrado no Crea, é profissional habilitado para assumir a responsabilidade técnica por: definição de procedimentos operacionais seguros; supervisão de sistemas de dosagem; gestão de armazenamento de produtos químicos; controle de qualidade da água; prevenção de riscos químicos e sanitários e treinamento de equipes.

A ausência de responsável técnico não é apenas uma falha administrativa. É uma fragilidade na gestão de risco que pode resultar em consequências graves. A Responsabilidade Técnica existe para proteger a sociedade. A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) não deve ser vista como formalidade burocrática. Ela identifica o profissional habilitado que responde tecnicamente pelo sistema, garantindo rastreabilidade, conformidade normativa e segurança.

A engenharia que sustenta o funcionamento das cidades pode não estar visível aos olhos da população, mas é determinante para a proteção da saúde pública. Segurança química não pode ser delegada ao improviso. Exige conhecimento, supervisão e responsabilidade formal.
 
Coordenadoria Nacional de Câmaras Especializadas de Engenharia Química